Com 47 transplantes realizados em um ano, hospital consolida serviço inédito no Mato Grosso do Sul e reúne pacientes, profissionais e autoridades em momento de celebração e reconhecimento.
Há um ano, o Hospital Adventista do Pênfigo realizou o primeiro transplante de fígado de sua história, marcando também um avanço significativo para a saúde pública do Mato Grosso do Sul. Até então, esse tipo de procedimento não era realizado no Estado, o que gerava grandes dificuldades logísticas para pacientes e familiares — e, infelizmente, contribuía para a perda de vidas na fila de espera.
Desde o início do serviço, 47 pessoas que aguardavam um transplante hepático tiveram uma nova chance de viver. Entre elas está o aposentado João Marcos Vargas, o primeiro paciente transplantado do HAP, que emocionou a todos ao compartilhar sua trajetória de luta, fé e gratidão.
“Minha vida era muito difícil. Eu precisava me deslocar de Ponta Porã, cidade a 293 quilômetros de Campo Grande, em busca de tratamento para a cirrose causada por uma infecção por hepatite B”, relembra João.
A história do aposentado evidencia que, para que um transplante aconteça, muitas mãos precisam estar envolvidas — muitas vezes, mãos de pessoas até então desconhecidas. “Quando iniciei o tratamento no Hospital Adventista do Pênfigo, eu não tinha onde ficar em Campo Grande. Foi então que um amigo de Ponta Porã me indicou ao casal Márcia e Alan Abrão, que moram aqui. Mesmo sem me conhecer, eles abriram as portas da casa e cuidaram de mim durante todo o processo: hospedagem, alimentação, acolhimento. Foi um verdadeiro milagre”, emociona-se.
João Marcos ficou 34 dias hospedado com o casal, enfrentando cada etapa do tratamento até a realização do transplante. Seu relato revela que o impacto do transplante vai muito além da cirurgia: envolve estrutura, apoio social e solidariedade.

João Marcos Vargas, primeiro paciente transplantado pelo HAP.
Para celebrar esse marco, o hospital promoveu no dia 23 de julho um culto especial de gratidão a Deus pelo primeiro ano do serviço de transplante hepático. A cerimônia contou com a presença de colaboradores, pacientes, líderes institucionais e representantes da área da saúde.
“Celebrar um ano desse serviço é lembrar que cada vida salva vale cada esforço. É a missão do hospital sendo vivida com excelência e propósito”, destacou o diretor-geral da instituição, Everton Martin.
Além do culto, a noite também foi marcada por uma festa de celebração no Buffet Ondara, reunindo autoridades políticas do Estado, profissionais da saúde, gestores e parceiros. Um dos destaques foi a presença do médico cirurgião Dr. Gustavo Rapassi, responsável técnico pelo serviço e fundador da ONG Fratello, parceira do HAP no acolhimento de pacientes e promoção de campanhas de doação de órgãos.
“Cada pessoa aqui hoje é parte de uma engrenagem muito maior. Eu sou apenas uma peça. Sozinho, não faço nada. É fundamental reconhecer o esforço coletivo e valorizar o trabalho de todos os envolvidos para tornar o transplante hepático uma realidade”, afirmou Rapassi.
O diretor-geral do HAP, Everton Martin, também reforçou a importância do trabalho em conjunto e da missão institucional, “cada transplante representa uma rede de cuidado e fé. O sucesso desse primeiro ano mostra que estamos no caminho certo, oferecendo vida e dignidade a quem mais precisa”, afirmou.

Dr. Gustavo Rapassi, Everton Martin, Dra. Karin Kiefer, Claire Miozzo e integrante da Central Estadual de Transplantes.
Atualmente, o HAP é o único centro transplantador hepático do Mato Grosso do Sul. A conquista é fruto do trabalho conjunto entre equipe médica, gestores, Central Estadual de Transplantes (CET/MS) e apoio institucional.
Durante o evento, a coordenadora da CET/MS, Claire Miozzo, também foi homenageada. Em sua fala, ela destacou a coragem e o compromisso do hospital ao aceitar o desafio de estruturar esse serviço essencial. “Antes de chegarmos ao Pênfigo, oferecemos o serviço de transplante hepático a diversas instituições. Nenhuma aceitou o desafio. Mas o HAP nos acolheu, enfrentou os requisitos do Ministério da Saúde, passou por reformas e se reestruturou para tornar esse serviço possível. Somos muito gratos pela forma como acolheu a CET, a equipe, os pacientes e suas famílias”, pontuou Claire.
Ao longo desse primeiro ano, o Hospital Adventista do Pênfigo reafirmou seu compromisso com a excelência técnica, a humanização no atendimento e a missão cristã de cuidar integralmente das pessoas.
Se o primeiro ano foi marcado por conquistas, os próximos prometem ainda mais esperança, é o que reforça o diretor geral da instituição. “Aqui cada vida cuidada é uma missão cumprida — e cuidar, mais do que uma profissão, é o propósito que nos move”, conclui Martin.